
Com mais de 50 anos de carreira, Evandro Teixeira fotografou os maiores acontecimentos do Brasil e do mundo. De infância humilde, aprendeu as técnicas da fotografia ainda garoto. Nasceu no interior da Bahia mais começou sua carreira no Rio de Janeiro, como Fotógrafo do jornal “ O Cruzeiro” e logo depois foi para o “Jornal do Brasil” onde está até hoje como editor de fotografia.
Evandro fotografou ao longo desses anos, vários acontecimentos importantes do Brasil e do mundo. Um desses momentos foi registrado no livro 68 destinos, que foi lançado em março deste ano. O retrato que originou o livro foi tirado na passeata dos 100 mil, grande movimento estudantil da época da ditadura. Essas e outras histórias você confere na entrevista que eu fiz com esse ícone da fotografia Brasileira.
Marcelle Borchetta: Evandro, você pode falar um pouco da sua história.
Evandro Teixeira: Pois é falar um pouco da minha história é meio complicado, ela é meio longa, são muitos anos de batente. Eu comecei na Bahia, estudei fotografia, depois vim pro Rio de Janeiro onde me tornei fotógrafo profissional, graças ao Zé Medeiros que foi um dos mestres da fotografia brasileira. Eu comecei aqui no diário da noite e depois vim pro jornal do Brasil no final de 62 onde eu estou até hoje. Já cobri várias etapas de copa do mundo, mundiais de futebol, olimpíadas – essa agora lamentavelmente eu não fui, pois estou lançando agora e divulgando meu livro 68 destinos. Mas eu acho que é importante essa vivência minha com a fotografia e com o jornalismo do mundo e do Brasil em especial.
MB: Porque você quis virar foto jornalista?
ET:Eu não quis virar foto jornalista, eu acho que nasci foto jornalista. O fotojornalismo entrou na minha vida, eu quando era garoto eu era escultor, fazia escultura. Na minha terra não existia nada, eu era de uma cidade do interior que não existia nem carro. Então eu crie, já naquela época no meu colégio, uma caixa de fotografia de cinema para projetar a fita do cinema de quadro a quadro para os meus colegas do colégio. Aquilo ninguém me falou, ninguém me ensinou, até mesmo porque não tinha televisão, só tinha rádio e não tinha carro. E depois eu fui estudar em salvador, já me tornaram fotógrafo lá no interior- fotógrafo que eu digo, aprendiz de fotógrafo, com um dos tios de Glauber Rocha que era o mestre da fotografia, era um fotografo acadêmico clássico. Depois aprendi com Walter Lessa que era um fotógrafo de Jequié. Ai fui para salvador, estudar em um colégio da Bahia, e lá eu comecei a estudar no “diários associados”, o diário de notícias da Bahia que é da cadeia sociada. E Zé Medeiros , que era do “O cruzeiro”, dava aula em um curso por correspondência, e ele foi realmente meu grande mestre da fotografia. E aí eu comecei no diário da noite, fotografando casamentos e assim começou minha história no fotojornalismo e na história do fotojornalismo brasileiro. E em seguida eu vim pro jornal do Brasil em 62 e estou aqui até hoje, enfrentando o mundo, enfrentando o Brasil tendo essa visão, esse aprendizado da fotografia mundial e brasileira. O que é fotojornalismo? O que é fotografia brasileira?! O que é você trabalhar num grande jornal do Brasil, um grande jornal do país?! Participar de grandes eventos, como é copa do mundo, como são as olimpíadas, disputando ali com os maiores nomes do jornalismo mundial. Então eu acho que é importante, e eu acho que esse tipo de trabalho te leva a essa convivência mundial. A fotografia jornalística é importante alem de ser um eterno aprendizado.
MB: Como é o dia a dia do fotojornalista no Brasil?
ET : O dia a dia do fotojornalismo, é cobrir os grandes acontecimentos de uma cidade,essa é a nossa pauta diária. E independente disso, você tem o inusitado, você está na rua e derrepente tem um fato importante você é avisado pelo rádio, ou você derrepente encontra alguma coisa, fotografa e escreve sobre aquilo. Esse é o nosso dia a dia de um fotojornalismo, de um jornalismo diário num grande jornal do Brasil.
Eu hoje estou mais na retaguarda, agora eu produzo mais livro, estou trabalhando no lançamento de um chamado 68 destinos. Mais independente disso eu acabei de produzir dois livros agora no primeiro semestre, eu fiz o livro do torcedor - junto com uma equipe agora em outubro, e acabei de fazer no mês de agosto, produzi o livro “Vida Seca”, em cima do romance do Graciliano Ramos um livro .
MB:Você pode falar um pouco do seu livro 68 destinos?

ET: Esse livro é sobre a ditadura, sobre os momentos terríveis que o Brasil viveu, o nosso terrível golpe militar. Mais é um livro que vem em cima da passeata dos 100 mil, que foi aquela manifestação, uma das maiores do Brasil. E esse dia em específico, junho de 68, foi um dia memorável, um dos dias mais bonitos que eu pude participar e documentar também. E essa foto que não foi publicada no dia, que gerou a história do livro. Em cima daquela foto que foi publicada pela primeira vez foi no livro fotojornalismo em 83, a Elaine, designer do livro se achou ali, também o seu marido, estudante de arquitetura na época. E aí começou a história, olha eu aqui, olha eu ali, e aí coloquei no site, e fui buscando, tentando encontrar as pessoas, e aí conseguimos encontrar 100 personagens. Foi um trabalho de cinco a sete anos buscar as pessoas. E o trabalho está aí, mais que um livro de fotografia, eu diria que é um livro de história que vai ficar pra contar um pouco do que foi aquilo, aquele grande movimento estudantil no Brasil.
MB:Quais os desafios que você encontrou ao longo dessa carreira?
ET :O desafio é eterno, você sempre tem desafios, qualquer que seja sua profissão é um desafio, especialmente quando é um desafio de começo, tudo é difícil, tudo é complicado. Mas eu acho que você tem que acreditar na sua profissão, você tem que aceitar os desafios, você tem que superar os desafios, você não pode achar que não vai conseguir, que ao vai vencer e vai ser tudo difícil. Eu acho que você tem que acima de tudo acreditar e achar que você vai superar todos esses problemas, eu acho que desafios problemas todos nós tivemos, todos nós encontramos, até hoje tem problemas e desafios, mais eu acho que agente tem que superar, acreditar, tentar e na realidade superar esses desafios e esses problemas.
MB:Qual a melhor coisa da profissão?
ET :É ser um bom fotógrafo, é acreditar na sua profissão, é viver a vida, é conhecer o mundo é conhecer o Brasil. Eu acho que conheço boa parte do mundo, o Brasil eu conheço todo, de ponta a ponta. E quem me levou a isso foi a fotografia. Essa fotografia que eu enfrentei que eu acreditei, que eu desafiei, que eu quis ser fotógrafo, eu acho que sou hoje um fotógrafo de uma certa maneira conhecido. Tem um filme que fala um pouco da minha carreira da minha trajetória. Graças a fotografia, a boa fotografia que o Brasil representa e que o Brasil tem.
MB:Como está o mercado para o jovem que está iniciando a carreira?
ET :O mercado no Brasil está saturado pra tudo, é um país que não valoriza o seu profissional. Então qualquer profissão tem problema, especialmente o jornalismo que é um mercado saturado, mais eu acho que você tem que superar, tem que acreditar e tentar vencer essas situações todas e acreditar em você. O mais importante de tudo é você acreditar na sua força, na seu potencial, você tem potencial para superar todos esses problemas. O mercado... é complicado, mais agente supera isso aí com a força de vontade. Acima de tudo é acreditar que vai chegar lá e que vai conseguir.